Por Wellington Sena
Em um mundo cada vez mais acelerado e tecnológico, as relações humanas enfrentam desafios significativos. Apesar dos avanços no século XXI, a educação básica no convívio entre pessoas parece, por vezes, esquecida. Cumprimentos como “Bom dia”, “Por favor”, e agradecimentos como “Obrigado”, embora simples, são pilares fundamentais para uma convivência harmoniosa e respeitosa. Palavras que carregam consigo não apenas um tom educado, mas também um senso de empatia e atenção ao outro.
Segundo o filósofo e educador brasileiro Mário Sérgio Cortella, “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.” Essa transformação começa em gestos singelos, como um cumprimento cordial ao chegar em um ambiente, uma solicitação acompanhada de “por favor” ou um “com licença” ao passar por alguém. A cortesia, tão valorizada em tempos passados, precisa ser resgatada como uma prática cotidiana em nossa sociedade.
As expressões de boas maneiras não têm apenas a função de seguir normas sociais; elas também refletem valores essenciais como respeito, humildade e generosidade. O famoso autor Dale Carnegie, em seu livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, ressaltou que palavras gentis e atenção genuína abrem portas e criam laços. Simples atitudes, como sorrir ao dar um “bom dia”, não apenas tornam o ambiente mais leve, mas também podem influenciar positivamente o humor das pessoas ao nosso redor.
O uso de “Por favor” e “Obrigado”, por exemplo, está diretamente associado à capacidade de reconhecer o outro. Quando solicitamos algo com educação, demonstramos empatia. Ao agradecermos, validamos a ação e o esforço do próximo. No ambiente de trabalho, onde as relações muitas vezes são mediadas por interesses, o uso dessas palavras pode fortalecer vínculos profissionais e pessoais, evidenciando um diferencial no comportamento.
Em contrapartida, a ausência desses pequenos gestos tem causado impacto perceptível. Nas redes sociais, onde o tom de voz não é percebido, a falta de educação parece se amplificar. O anonimato virtual e o imediatismo da comunicação criam um cenário onde dizer “por favor” ou “obrigado” é visto como dispensável. Essa postura, no entanto, se transfere para o mundo real e pode gerar atritos desnecessários entre colegas, amigos e até mesmo desconhecidos.
A escritora britânica Judith Martin, conhecida como Miss Manners, descreveu que “Boas maneiras são a cola invisível que mantém a sociedade unida”. Quando uma pessoa pede licença para passar, ela não apenas demonstra respeito, mas também fortalece os princípios de civilidade que sustentam a convivência pacífica. Isso é especialmente relevante em espaços públicos, como transporte coletivo, filas ou eventos sociais, onde o individualismo muitas vezes se sobrepõe ao coletivo.
Além disso, o ato de ensinar essas palavras no ambiente familiar e escolar é uma responsabilidade crucial. Crianças aprendem a partir do exemplo; portanto, pais, professores e responsáveis desempenham papel fundamental. A psicóloga Dra. Vera Iaconelli, em entrevistas recentes, reforça que a repetição e consistência na aplicação dos bons modos desde cedo contribuem para a formação de adultos mais conscientes e respeitosos.
Mesmo em tempos modernos, a necessidade de educação no convívio social nunca sai de moda. O respeito ao próximo é atemporal. Um simples “boa tarde” ao cruzar um vizinho no elevador ou um “boa noite” ao sair de um restaurante ainda carrega o mesmo peso simbólico de décadas atrás: uma expressão de humanidade e consideração pelo outro.
Ainda que a sociedade se modernize e as tecnologias transformem o modo como nos comunicamos, palavras educadas continuarão sendo insubstituíveis. Elas funcionam como pontes que aproximam as pessoas, independente de idade, gênero ou classe social. É preciso reforçar que a educação não é sinal de fraqueza, mas de força moral e intelectual.
Dessa forma, resgatar os bons modos e aplicá-los em nosso dia a dia é um gesto simples, porém poderoso. Palavras como “Bom dia, Por favor, Obrigado” carregam o poder de mudar interações e tornar o mundo um lugar mais leve e harmonioso. Afinal, como dizia Goethe, “A cortesia é a maneira mais fácil e mais elegante de mostrar respeito ao próximo.”